sábado, 28 de junho de 2014

Brasil x Chile

Neymar e Júlio César (foto de arquivo)
Jamais pensei em escrever uma crônica sobre futebol. Será que Nélson Rodrigues também pensava assim? Certamente, não... ele era um torcedor fanático pelo futebol e por seu time do coração: o Fluminense.

Jogo: Brasil vs Chile!


Duas grandes equipes, dois países essenciais na América Latina! Um embate entre dois gigantes! Assisti, emocionado, a essa disputa! 

Para mim, era difícil escolher entre as duas equipes, ainda que meu sentimento nacionalista falasse mais alto... duas grandes Nações defendendo suas posições no futebol mundial. Um dilema político difícil: é claro que o governo petista de Dilma só tem a ganhar com os bons resultados no futebol de nosso país! Haja vista o ano de 1970, em plena ditadura militar, quando a comemoração pela conquista do tricampeonato mundial foi explorada pelos generais de plantão como uma realização do governo militar! E nossos "heróis" foram recebidos com honra em todas as grandes cidades, como se tivéssemos vencido uma guerra! De fato, o futebol é uma guerra... Desfilaram em carros abertos, a taça na mão, qual um troféu militar...

Agora, #DILMA tenta capitalizar essa Copa do Mundo, sob orientação de seu "coach", Luís Inácio #LULA da Silva, para vencer as eleições! É um dilema complicado, pois, no fundo, somos todos brasileiros a despeito da estupidez que é a existência de fronteiras nesse mundo dos homens! Sim, as fronteiras geram as guerras e matam milhões de seres humanos, que, muitas vezes, sequer sabem por que e para quem estão lutando e morrendo...


Pois então, passei o jogo inteiro nesse dilema entre o Bem e o Mal, entre a política e o maldito "sentimento patriótico" que aprendemos com nossos pais e com as escolas que frequentamos... mera percepção espacial... é quase uma religião, com seus dogmas, seus santos, seus padroeiros, suas crenças e sua fé! Enquanto a "pátria" é uma entidade militar, a Nação é um sentimento transfronteiras, que identifica um povo, sua territorialidade, seus valores éticos e culturais, seu sentimento de identidade étnica e fraternidade espontânea... bem diferente...

Por fim, o Brasil venceu nos "pênaltis", e dois heróis foram sacramentados: Neymar e Júlio César, que tornaram possível a continuação desse jogo entre Nações, uma espécie de "WAR" contemporâneo... quem nunca jogou "WAR"? Nações se confrontando num tabuleiro mundial, tentando conquistar uns aos outros, sem nenhum propósito senão o de "derrotar o inimigo"!


Assim, o Brasil conseguiu postergar por mais uns quinze dias a sentença de morte da "Democracia Petista", que, em 3 de outubro irá reconduzir DILMA para o Palácio do Planalto! Palácio? Sim, esse é outro resquício do Brasil Colonial, caracterizado por apenas dois "Imperadores": Dom Pedro I e II... curta história... pois temos um "palácio" incrustado no coração do Brasil, no bioma mais devastado do país, o Cerrado, riquíssimo em espécies e em recursos hídricos, vitais para nossa sobrevivência... mas a quem importa?

Ficam um pouco distantes, em minha memória, as tragédias em que esses dois países foram protagonistas e vítimas, durante os negros anos das ditaduras latino-americanas das décadas de 1960 a 1990. Comandados pelos generais, Emílio Garrastazu Médici e Augusto Pinochet, Brasil e Chile foram cruelmente devastados, intelectual e materialmente, por esses cruéis militares e aqueles que os precederam e sucederam nos "terríveis e negros anos de chumbo"!

As questões essenciais de qualquer democracia ficam postergadas para dar lugar a um "Coliseu" tupiniquim, onde os "Césares" fingem comandar nossa Nação... enquanto isso, indígenas, quilombolas e pequenos agricultores esperam que o poder público lhes dê atenção e evitem o assassinato de suas lideranças, que nunca aparecem nas grandes mídias do poder central...

Pois que celebremos, então, nossa vitória no jogo de hoje... "Brasil!"

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Lideranças Políticas no Brasil Contemporâneo

Transmissão de cargo de Presidente da República
Luís Inácio (LULA) da Silva e Fernando Henrique Cardoso (FHC)

Ao refletirmos sobre os nossos líderes contemporâneos (depois dos 21 anos de ditadura militar), evidentemente, não poderíamos deixar de destacar esses dois grandes personagens, e mais ninguém. Fernando Henrique, porque representou a grande esperança de uma revolução cultural (no bom sentido dessa expressão) e a condução do Brasil para uma sociedade social-democrata, eficiente, justa e focada em um Desenvolvimento Sustentável, com qualidade de vida. Lula, porque  representou a redenção dos movimentos sociais, a igualdade étnica, a defesa da Ética e da Justiça, e um caminho seguro para uma sociedade socialista.

Infelizmente, nenhum dos dois realizou nossas expectativas.

Fernando Henrique Cardoso, sociólogo conhecido internacionalmente como personalidade de esquerda, exilado durante a ditadura, primeiramente no Chile e depois em Paris, com cátedras no Brasil e Europa, revelou-se um aristocrata, defensor das elites (não as culturais, mas as sociais), e conduziu o país rumo à Globalização e a um desenvolvimentismo que o aproximaria de um Capitalismo predatório e nada sustentável. Atribui-se a FHC a frase "Não me cobrem coerência com minhas ideias acadêmicas, pois agora preciso governar, e isso requer alianças que possibilitem a governabilidade"! Verdadeira ou não, esta frase identifica com clareza o seu período no poder. FHC conseguiu reestruturar a dívida pública federal e dos estados, e estabilizar a Economia, estabelecendo regras claras de austeridade, que se tornaram conhecidas como a "Lei de Responsabilidade Fiscal", que definiria a obrigação de todos os entes federados a administrar com seriedade seus compromissos financeiros. Mas fez isso às custas de alianças com o pior entulho da ditadura: esses falsos líderes que hoje dominam os debates no Congresso através de discursos de uma oposição raivosa, corrupta e incompetente.

Lula, metalúrgico e líder sindical, que nos anos 1980 reuniu no Partido dos Trabalhadores a nata dos socialistas e dos assalariados, brandindo o estandarte da Ética e da Justiça Social, até conseguiu valorizar os movimentos populares e atender a muitas de suas reivindicações; restaurou significativamente o valor do salário mínimo, construiu métodos participativos nas decisões em todas as esferas de governo, e teve amplo reconhecimento internacional pela sua liderança incontestável. Até iniciou um trabalho eficiente de gestão ambiental, sob a liderança de Marina Silva. Porém, suas alianças "em nome da governabilidade", que aprendeu rapidamente com FHC, e das quais se apropriou com maestria, tornaram insustentáveis essas políticas e, aos poucos, o governo foi assumindo sua feição definitiva de apoio aos grandes empreendimentos e à política de favorecimento ao agronegócio, em detrimento das maiorias da população. Preparou sua ministra predileta, Dilma Rousseff, para substituí-lo após seu segundo mandato, nomeando-a gestora do PAC, um amontoado de projetos mal-elaborados e sem consistência. Finalmente, ao indicar Dilma para sua sucessora, cometeu seu erro definitivo, colocando tudo a perder nos quatro anos que se sucederam. Ela, despreparada e desprovida de carisma, com tendências à gestão autoritária, se indispôs com a "classe" política e se apoiou em grandes projetos de hidrelétricas na Amazônia e no apoio irrestrito ao agronegócio como sustentáculo da Economia.

Duas grandes lideranças, duas enormes esperanças, duas frustrações para a Nação brasileira! E, o pior: não temos outras lideranças que possam conduzir o país em direção ao futuro que todos almejamos! Todos aqueles que permanecem na pauta da política estão comprometidos com o passado perverso do período militar: Collor, o "salvador da pátria" e responsável por uma política irresponsável, corrupta e devastadora com relação às instituições públicas; Sarney, filho da ditadura e chefe do pior "Clã" político que o Brasil conheceu; Paulo Maluf, Renan Calheiros, Jáder Barbalho, Romero Jucá, Blairo Maggi, Aécio Neves, Kátia Abreu, todos representantes do que existe de mais comprometido com as falcatruas, conchavos, irregularidades, negociatas. Isto, apenas para destacar notórios representantes do Congresso!

Mais ainda, formaram-se no Congresso duas bancadas nefastas: a dos RURALISTAS, que fazem de tudo para acabar com nossa legislação ambiental, que já foi uma das mais avançadas do mundo, e a dos EVANGÉLICOS, sectaristas, reacionários, que apenas atuam por interesses mesquinhos e inconfessáveis de seitas religiosas comprometidas com a expropriação de pequenas poupanças populares para se enriquecer e ampliar seu poder. E ambas atuam, também, para extinguir as políticas étnicas, quilombolas e indigenistas, de nosso país!

Este ano teremos, talvez, a mais importante eleição da história contemporânea, não pelos seus candidatos, todos inexpressivos e irrelevantes, mais pelas consequências de nossas escolhas. Parafraseando Lula, "nunca antes, na História desse país", tivemos uma "classe política" tão desacreditada, tão suja, tão comprometida com a corrupção e com crimes de toda natureza, como o que presenciamos hoje! E não há exageros nessa afirmação, pois esse é o sentimento que levou a quase totalidade do público que lotava o Estádio de futebol na abertura da Copa a vaiar e a ofender a presidente Dilma com frases pesadas e expressões do mais baixo calão!

A "ofensa", ou melhor, o protesto não foi dirigido apenas a Dilma Rousseff pelo pior governo que já passou pelo período histórico republicano, mas a todos os políticos, que envergonham o Brasil diante do mundo! Nesses seus quatro anos de (des) governo, Dilma conseguiu desconstruir tudo que foi feito, bem ou mal, com equívocos e acertos, por FHC e LULA! O país caminha para a crise econômica e para uma situação de impasse institucional que poderá provocar um tremendo retrocesso na construção da Democracia. Por pior que seja hoje, mais um período petista no governo será catastrófico e, talvez, irreversível para nossa Nação.

Escolher Aécio Neves ou Eduardo Campos será totalmente irrelevante. Nenhum dos dois tem, em seus currículos, uma obra que assegure um bom governo ou, pelo menos, uma biografia edificante e admirável, como tinham Lula e FHC. Os primeiros passos de ambos os candidatos foi no sentido de reforçar suas alianças com o agronegócio e com a preservação do "status quo", ou seja, desenvolvimentismo inconsequente, e desprezo ao Meio Ambiente, às populações indígenas e quilombolas e nenhum comprometimento com o Desenvolvimento Sustentável!

Por sua vez, a campanha de Dilma não será, propriamente, dela, mas de Lula: devido à sua total incapacidade de articular um discurso coerente e convincente, é certo que Lula fará a maioria das apresentações nos horários de TV de sua escolhida; e carisma e eloquência ele tem de sobra! Já nos debates, é provável que tanto Aécio quanto Eduardo tenham melhor desempenho. Resta saber se o povo que decide, aquele que recebe o Bolsa Família, e que está no Nordeste e no Norte do país, predominantemente, saberá distinguir entre a política assistencialista do PT e as ofertas de campanha dos outros dois candidatos. Se Marina Silva soube capitalizar sua inteligente argumentação nas eleições passadas, agora, como vice de Eduardo, não terá o mesmo poder de convencimento, e muitos que nela votaram na eleição passada optarão pelo voto nulo, por discordarem de sua decisão unilateral de aliar-se ao PSB.

As perspectivas são negras, tenebrosas, desanimadoras! Pois não se constrói uma Nação sem que haja lideranças competentes, carismáticas e capazes de motivar o povo em busca de um futuro digno, ético, solidário e comprometido com a preservação do Planeta! Sem um programa de governo que mostre outras possibilidades, sejam elas no campo social, político, econômico e ambiental, permaneceremos alternando discursos superados, focados em ataques pessoais e slogans sem sentido para os eleitores. Em meu entendimento, o fracasso da Rede em afirmar-se como o partido da sustentabilidade, e a aliança mal construída de Marina Silva e Eduardo Campos eliminaram o grande trunfo de um segmento que, embora pequeno, teria condições de articular parcerias sérias, responsáveis e não comprometidas com as correntes atuais da política brasileira. Esse é o panorama que vislumbro, com tristeza, para o Brasil...

terça-feira, 17 de junho de 2014

Floresta Amazônica perde 54 milhões de toneladas de carbono por ano

Perda equivale a 40% da produzida pelo desmatamento total.
Pesquisa cruzou dados de satélites e de pesquisas de campo em 225 áreas
(foto:Jos Barlow)
Especiais 16/06/2014 - Por José Tadeu Arantes
Agência FAPESP – Uma pesquisa conduzida por cientistas no Brasil e no Reino Unido quantificou o impacto causado na Floresta Amazônica por corte seletivo de árvores, destruição parcial pelo fogo e fragmentação decorrente de pastagens e plantações. Em conjunto, esses fatores podem estar subtraindo da floresta cerca de 54 milhões de toneladas de carbono por ano, lançados à atmosfera na forma de gases de efeito estufa. Esta perda de carbono corresponde a 40% daquela causada pelo desmatamento total.

O estudo, desenvolvido por 10 pesquisadores de 11 instituições do Brasil e do Reino Unido, foi publicado em maio na revista Global Change Biology.

“Os impactos da extração madeireira, do fogo e da fragmentação têm sido pouco percebidos, pois todos os esforços estão concentrados em evitar mais desmatamento. Essa postura deu grandes resultados na conservação da Amazônia brasileira, cuja taxa de desmatamento caiu em mais de 70% nos últimos 10 anos. No entanto, nosso estudo mostrou que esse outro tipo de degradação impacta severamente a floresta, com enormes quantidades de carbono antes armazenadas sendo perdidas para a atmosfera”, disse a brasileira Erika Berenguer, pesquisadora do Lancaster Environment Centre, da Lancaster University, no Reino Unido, primeira autora do estudo.

Segundo Joice Ferreira, pesquisadora da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Amazônia Oriental), em Belém (PA), e segunda autora do estudo, um dos motivos dessa degradação ser menos percebida é a dificuldade de monitoramento. “As imagens de satélite permitem detectar com muito mais facilidade as áreas totalmente desmatadas”, afirmou.

“Nossa pesquisa combinou imagens de satélite com estudo de campo. Fizemos uma avaliação, pixel a pixel [cada pixel na imagem corresponde a uma área de 900 metros quadrados], sobre o que aconteceu nos últimos 20 anos. Na pesquisa de campo, estudamos 225 parcelas (de 3 mil metros quadrados cada) em duas grandes regiões, com 3 milhões de hectares [30 mil quilômetros quadrados], utilizadas como modelo para estimar o que ocorre no conjunto da Amazônia”, explicou Ferreira.

As imagens de satélite, comparadas de dois em dois anos, possibilitaram que os pesquisadores construíssem um grande painel da degradação da floresta ao longo da linha do tempo, em uma escala de 20 anos. Na pesquisa de campo foram avaliadas as cicatrizes de fogo, de exploração madeireira e outras agressões. A combinação das duas investigações resultou na estimativa de estoque de carbono que se tem hoje.

Duas regiões foram estudadas in loco: Santarém e Paragominas, na porção leste da Amazônia, ambas submetidas a fortes pressões de degradação. Nessas duas regiões foram investigadas as 225 áreas.
“Coletamos dados de mais de 70 mil árvores e de mais de 5 mil amostras de solo, madeira morta e outros componentes dos chamados estoques de carbono. Foi o maior estudo já realizado até o momento sobre a perda de carbono de florestas tropicais devido à extração de madeira e fogos acidentais”, disse Ferreira.

Segundo ela, a pesquisa contemplou quatro dos cinco compartimentos de carbono cujo estudo é recomendado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), da Organização das Nações Unidas (ONU): biomassa acima do solo (plantas vivas), matéria orgânica morta, serapilheira (camada que mistura fragmentos de folhas, galhos e outros materiais orgânicos em decomposição) e solos (até 30 centímetros de profundidade). “Só não medimos o estoque de carbono nas raízes”, disse.

Para efeito de comparação, foram consideradas cinco categorias de florestas: primária (totalmente intacta); com exploração de madeira; queimada; com exploração de madeira e queimada; e secundária (aquela que foi completamente cortada e cresceu novamente).

As florestas que sofreram perturbação, por corte ou queimada, apresentaram de 18% a 57% menos carbono do que as florestas primárias. Uma área de floresta primária chegou a ter mais de 300 toneladas de carbono por hectare, enquanto as áreas de floresta queimada e explorada para madeira tiveram, no máximo, 200 toneladas por hectare, e, em média, menos de 100 toneladas de carbono por hectare.

Corte seletivo tradicional

O roteiro da degradação foi bem estabelecido pelos pesquisadores. O ponto de partida é, frequentemente, a extração de madeiras de alto valor comercial, como o mogno e o ipê; essas árvores são cortadas de forma seletiva, mas sua retirada impacta dezenas de árvores vizinhas.

Deflagrada a exploração, formam-se várias aberturas na cobertura vegetal, o que torna a floresta muito mais exposta ao sol e ao vento, e, portanto, muito mais seca e suscetível à propagação de fogos acidentais. O efeito é fortemente acentuado pela fragmentação da floresta em decorrência de pastagens e plantações.

A combinação dos efeitos pode, então, transformar a floresta em um mato denso, cheio de árvores e cipós de pequeno porte, mas com um estoque de carbono 40% menor do que o da floresta não perturbada.

“Existem, hoje, vários sistemas de corte seletivo, alguns um pouco menos impactantes do que outros. O sistema predominante, que foi aquele detectado em nosso estudo, associado ao diâmetro das árvores retiradas e à sua idade, pode subtrair da floresta uma enorme quantidade de carbono”, disse Plínio Barbosa de Camargo, diretor da Divisão de Funcionamento de Ecossistemas Tropicais do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena) da Universidade de São Paulo (USP) e membro da coordenação da área de Biologia da FAPESP, que também assinou o artigo publicado na Global Change Biology.

“Por mais que recomendemos no sentido contrário, na hora do manejo efetivo acabam sendo retiradas as árvores com diâmetros muito grandes, em menor quantidade. Em outra pesquisa, medimos a idade das árvores com carbono 14. Uma árvore cujo tronco apresente o diâmetro de um metro com certeza tem mais de 300 ou 400 anos. Não adianta retirar essa árvore e imaginar que ela possa ser substituída em 30, 40 ou 50 anos”, comentou Camargo.

A degradação em curso torna-se ainda mais preocupante no contexto da mudança climática global. “O próximo passo é entender melhor como essas florestas degradadas responderão a outras formas de distúrbios causados pelo homem, como períodos de seca mais severos e estações de chuva com maiores níveis de precipitação devido às mudanças climáticas”, afirmou o pesquisador britânico Jos Barlow, da Lancaster University, um dos coordenadores desse estudo e um dos responsáveis pelo Projeto Temático ECOFOR: Biodiversidade e funcionamento de ecossistemas em áreas alteradas pelo homem nas Florestas Amazônica e Atlântica.

Além dos pesquisadores já citados, assinaram também o artigo da Global Change Biology Toby Alan Gardner (University of Cambridge e Stockholm Environment Institute), Carlos Eduardo Cerri e Mariana Durigan (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz/USP), Luiz Eduardo Oliveira e Cruz de Aragão (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e University of Exeter), Raimundo Cosme de Oliveira Junior (Embrapa Amazônia Oriental) e Ima Célia Guimarães Vieira (Museu Paraense Emílio Goeldi).

O artigo A large-scale field assessment of carbon stocks in human-modified tropical forests (doi: 10.1111/gcb.12627), de Erika Berenguer e outros, pode ser lido em http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/gcb.12627/full.

quinta-feira, 12 de junho de 2014

A TORCIDA ENVERGONHADA


Por toda parte, o que se vê é desânimo: carros e fachadas sem bandeiras, pessoas desmotivadas, protestos em toda parte. Apenas a Gloebbels insiste em promover a Copa, para preservar seus investimentos, satisfazer seu...s anunciantes e atender às ordens da FIFA em não divulgar protestos. "Nunca na História desse país" vimos o Brasil tão desatento ao seu esporte predileto! Qual seria a causa de tamanho desinteresse?

Algumas respostas são óbvias: a população se mostrou consciente, denunciando os excessos do governo em patrocinar essa Copa, que mesmo #DILMA afirmou ser um evento privado e que, portanto, não fazia sentido o povo "atacar" o governo pelo desperdício de dinheiro público! Mas o desperdício aconteceu, assim como os atrasos nas obras e a fragilidade de "nossos" esforços para atender às exigências da FIFA.

Outra causa, não distante da primeira, é o descrédito total nos políticos brasileiros, particularmente aqueles do #PT, que traíram a confiança de seus próprios afiliados, "vendendo sua alma ao diabo" para permanecer no poder. Para isso, valeu-se do Mensalão, da Petrobrás, das alianças com o agronegócio e da Copa do Mundo, que, mesmo sendo "um evento privado", ficou indelevelmente associado ao governo petista. Só que "o feitiço virou contra a feiticeira" e essa copa está fadada a ser mais um fracasso populista!

Se os investimentos foram bilionários, foram também mal direcionados e mal administrados, pois o país precisa de obras que tragam crescimento sustentado e relacionados com aspectos sociais, o que não é o caso desse evento esportivo, por mais fanatismo que haja pelos gramados no "país do futebol". Passada a Copa, para que servirão tantos e tão suntuosos estádios?

Mas "a torcida envergonhada" mostra-se incrédula até mesmo com o futuro mais próximo, o das eleições presidenciais, diante do quadro estarrecedor de termos três candidatos, mas nenhum caindo nas graças da população. Fica a pergunta: qual seria a diferença entre eles? Qual o "diferencial competitivo", o "capital intelectual e pessoal" de cada um dos candidatos, para pleitear o cargo supremo da Nação? E, para piorar, a possibilidade que existe de que os votos nulos, em branco e as abstenções superem os votos do primeiro colocado, depois de apurados os resultados das eleições!

Essa TORCIDA ENVERGONHADA deseja, no fundo de seus corações, que o Brasil vença a Copa, mesmo sabendo que, ao vencê-la, estará dando mais combustível para que a "PresidAnta" alcance seus objetivos, e o PT consiga se "perpetuar" no poder por mais oito anos, pois depois de Dilma, certamente #LULA voltará como o "Salvador da Pátria", diante do fracasso inevitável de sua política econômica, assim como Collor se elegeu em 1990, com apoio velado, mas óbvio da Gloebbels, que até criou a personagem "Sassá Mutema", mais apropriada à figura caudilhesca de LULA do que a COLLOR!

Vejamos, pois, o resultado dessa pantomima, com suas duas possibilidades, a conferir: ou o Brasil sai como campeão do mundo, e favorece os sonhos petistas de continuar como hóspede do Planalto, ou a seleção frustra os sonhos dos brasileiros fanáticos, e as possibilidades de vitória petista se tornam ainda mais remotas. De qualquer modo, é lamentável que a escolha de um governante esteja de tal forma atrelada a um jogo de futebol...
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segunda-feira, 9 de junho de 2014

Relatório Figueiredo - os escândalos do SPI


Relatorio figueiredo ( parcial ) from jotadiver1950

O extermínio documentado
Documento que registra extermínio de índios é resgatado após décadas desaparecido. Relatório de mais de 7 mil páginas que relatam massacres e torturas de índios no interior do país, dado como queimado num incêndio, é encontrado intacto 45 anos depois

Felipe Canêdo (Diários Associados)

A expedição percorreu mais de 16 mil quilômetros e visitou mais de 130 postos indígenas onde foram constatados inúmeros crimes e violações aos direitos humanos. O governo ignorou pedido do Relatório Figueiredo para demitir 33 agentes públicos e suspender 17

Depois de 45 anos desaparecido, um dos documentos mais importantes produzidos pelo Estado brasileiro no último século, o chamado Relatório Figueiredo, que apurou matanças de tribos inteiras, torturas e toda sorte de crueldades praticadas contra indígenas no país – principalmente por latifundiários e funcionários do extinto Serviço de Proteção ao Índio (SPI) –, ressurge quase intacto. Supostamente eliminado em um incêndio no Ministério da Agricultura, ele foi encontrado recentemente no Museu do Índio, no Rio, com mais de 7 mil páginas preservadas e contendo 29 dos 30 tomos originais.

Em uma das inúmeras passagens brutais do texto, a que o Estado de Minas teve acesso e publica na data em que se comemora o Dia do Índio, um instrumento de tortura apontado como o mais comum nos postos do SPI à época, chamado “tronco”, é descrito da seguinte maneira: “Consistia na trituração dos tornozelos das vítimas, colocadas entre duas estacas enterradas juntas em um ângulo agudo. As extremidades, ligadas por roldanas, eram aproximadas lenta e continuamente”.

Entre denúncias de caçadas humanas promovidas com metralhadoras e dinamites atiradas de aviões, inoculações propositais de varíola em povoados isolados e doações de açúcar misturado a estricnina, o texto redigido pelo então procurador Jader de Figueiredo Correia ressuscita incontáveis fantasmas e pode se tornar agora um trunfo para a Comissão da Verdade, que apura violações de direitos humanos cometidas entre 1946 e 1988.

A investigação, feita em 1967, em plena ditadura, a pedido do então ministro do Interior, Albuquerque Lima, tendo como base comissões parlamentares de inquérito de 1962 e 1963 e denúncias posteriores de deputados, foi o resultado de uma expedição que percorreu mais de 16 mil quilômetros, entrevistou dezenas de agentes do SPI e visitou mais de 130 postos indígenas. Jader de Figueiredo e sua equipe constataram diversos crimes, propuseram a investigação de muitos mais que lhes foram relatados pelos índios, se chocaram com a crueldade e bestialidade de agentes públicos. Ao final, no entanto, o Brasil foi privado da possibilidade de fazer justiça nos anos seguintes. Albuquerque Lima chegou a recomendar a demissão de 33 pessoas do SPI e a suspensão de 17, mas, posteriormente, muitas delas foram inocentadas pela Justiça.

Os únicos registros do relatório disponíveis até hoje eram os presentes em reportagens publicadas na época de sua conclusão, quando houve uma entrevista coletiva no Ministério do Interior, em março de 1968, para detalhar o que havia sido constatado por Jader e sua equipe. A entrevista teve repercussão internacional, merecendo publicação inclusive em jornais como o New York Times. No entanto, tempos depois da entrevista, o que ocorreu não foi a continuação das investigações, mas a exoneração de funcionários que haviam participado do trabalho. Quem não foi demitido foi trocado de função, numa tentativa de esconder o acontecido. Em 13 de dezembro do mesmo ano o governo militar baixou o Ato Institucional nº 5, restringindo liberdades civis e tornando o regime autoritário mais rígido.

 O vice-presidente do grupo Tortura Nunca Mais de São Paulo e coordenador do Projeto Armazém Memória, Marcelo Zelic, foi quem descobriu o conteúdo do documento até então guardado entre 50 caixas de papelada no Rio de Janeiro. Ele afirma que o Relatório Figueiredo já havia se tornado motivo de preocupação para setores que possivelmente estão envolvidos nas denúncias da época antes de ser achado. “Já tem gente que está tentando desqualificar o relatório, acho que por um forte medo de ele aparecer, as pessoas estão criticando o documento sem ter lido”, acusa.

Suplícios O contexto desenvolvimentista da época e o ímpeto por um Brasil moderno encontravam entraves nas aldeias. O documento relata que índios eram tratados como animais e sem a menor compaixão. “É espantoso que existe na estrutura administrativa do país repartição que haja descido a tão baixos padrões de decência. E que haja funcionários públicos cuja bestialidade tenha atingido tais requintes de perversidade. Venderam-se crianças indefesas para servir aos instintos de indivíduos desumanos. Torturas contra crianças e adultos em monstruosos e lentos suplícios”, lamentava Figueiredo. Em outro trecho contundente, o relatório cita chacinas no Maranhão, em que “fazendeiros liquidaram toda uma nação”. Uma CPI chegou a ser instaurada em 1968, mas o país jamais julgou os algozes que ceifaram tribos inteiras e culturas milenares.