segunda-feira, 25 de março de 2013

Blairo Maggi assume Meio Ambiente no Senado

Senador Blairo Maggi é um dos maiores produtores
de soja do país | Foto: Antonio Cruz/ABr
Empresa do ex-governador do Mato Grosso possui mais de
200 mil hectares plantados | Foto: José Cruz/ABr
Autor: Samir Oliveira
Fonte: SUL21

No dia 27 de fevereiro, Blairo Maggi (PR-MT) foi eleito por aclamação para a presidência da Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA) do Senado. O ex-governador do Mato Grosso é um dos maiores produtores de soja do Brasil, correspondendo a 5% de toda a produção nacional. O grupo André Maggi – que leva o nome do seu pai – possui 203 mil hectares de terras plantadas. O senador Blairo detém 2.348 hectares em seu nome e seu primo, Eraí Maggi, possui 380 mil hectares plantados. Somados esses números, a porção do território brasileiro sob domínio da família Maggi equivale à toda a área do Distrito Federal.

A condução de Blairo Maggi à presidência da CMA gerou protestos e indignação por parte de ambientalistas e ativistas contrários à bancada ruralista no Congresso Nacional. Mas, também, há quem diga que o senador não representa as posições mais extremas dos ruralistas e que, após enfrentar muitos protestos e críticas, ele teria passado a compreender o papel da preservação ambiental na produção agrícola.

O histórico do senador é controverso. Ele chegou a receber o prêmio “Motosserra de Ouro” do Greenpeace, em 2004, quando era governador do Mato Grosso. Mas também é destacado por ter colocado em prática uma política de combate ao desmatamento no estado e de regularização ambiental de imóveis rurais.

Apesar de seu mandato não ser reconhecido por atuações ambientalistas no Senado, Blairo possui alguns projetos de lei sobre o tema, como o PLS 750/2011, sobre a política de gestão e proteção do bioma Pantanal. É, também, autor da PEC 76/2011, que altera artigos da Constituição para assegurar aos índios participação nos resultados do aproveitamento de recursos hídricos em terras indígenas. Essas medidas e a moderação do discurso fazem com que alguns ambientalistas interpretem que teria havido um reposicionamento de Blairo Maggi em relação ao meio ambiente.

Entretanto, atitudes e declarações de Blairo Maggi no passado colocam seu alegado compromisso ambiental em cheque. Em 2003, o senador declarou ao jornal norte-americano New York Times: “Para mim, um aumento de 40% no desflorestamento não significa nada. Não sinto a mínima culpa pelo que estamos fazendo aqui. Estamos falando de uma área maior que a Europa que não foi tocada ainda. Não há nada com o que se preocupar”.

Quando assumiu o governo do Mato Grosso, Blairo disse que seu objetivo seria “triplicar a produção agrícola do estado em 10 anos”. E, em dezembro de 2010, o senador assinou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com a Secretaria do Meio Ambiente do Mato Grosso para corrigir irregularidades ambientais em uma de suas fazendas, em Rondonópolis.

Em resposta a um pedido de entrevista da reportagem do Sul21, a assessoria de imprensa do senador informou que Blairo Maggi optou por “não participar” desta vez.

Blairo no comando da CMA favorece governo federal, diz jornalista
Alceu Castilho pesquisou bens rurais de políticos
durante três anos | Foto: Diego Jock / Divulgação
O jornalista Alceu Castilho, autor do livro “Partido da Terra”, no qual detalha a quantidade de propriedades rurais nas mãos de políticos no país, observa que a posse de Blairo Maggi na presidência da CMA é vista com bons olhos pelo governo Dilma Rousseff (PT). O senador já se declarou um aliado da presidente.

“Podemos falar de uma coalizão governista que vem desde o governo Lula, mas que possui mais adesão aos projetos ruralistas agora. No governo Lula, o agronegócio tinha muita força, mas existia ainda alguma tensão, algum conflito. Dilma não tem dores na consciência ao aderir a este projeto e a nomeação do Blairo por aclamação para a presidência da CMA confirma isso”, entende.

Para o jornalista, a indignação gerada com a posse do senador na comissão não pode se direcionar somente para a sua figura. “Não podemos minimizar essa notícia. Isso é grave e o Brasil precisa ficar alerta e chocado. Mas o que a Comissão de Meio Ambiente do Senado decidiu de tão relevante nos últimos anos? Os principais debates do país ocorrem na Câmara. Não podemos achar que o Blairo na presidência da CMA é algo normal, mas existe um histórico de conflitos de interesses em situações até mais importantes do que esta comissão”, defende.

Alceu Castilho considera que é preciso reverter a artilharia da indignação contra Blairo Maggi para o poder representado pelos ruralistas no país. Em seu livro, o jornalista argumenta que o ruralismo não se restringe a uma bancada no Congresso Nacional, mas, sim, a um “sistema político”.

“Nos últimos anos, há um poder crescente da bancada ruralista, que contou e conta com o aval de governos de distintas siglas, com contornos de conformismo que não havia na época da Constituinte, quando existia confronto”, recorda. Ele afirma que “não adianta demonizar apenas o Blairo” e sustenta que “há contextos políticos, partidários e de força de bancadas por trás disso”.

O jornalista não acredita que Blairo Maggi tenha se convertido, nos últimos anos, em um defensor do meio ambiente. “Nenhum ambientalista desprovido de ingenuidade considerará que ele mudou da água para o vinho em tão pouco tempo. Ele percebeu que havia um confronto que não é benéfico para sua imagem e para os seus negócios. Para mudar essa imagem, ele adere a um pacto que possui algumas blindagens e anteparos”, define.

Alceu Castilho considera que é mais fácil, para o senador, abaixar o nível da retórica ruralista com o apoio do governo federal. “É fácil para ele compor com um governo que não é apaixonado pela defesa do meio ambiente. Assim ele passa uma imagem mais palatável.”

Para o jornalista, Blairo Maggi “é um pouco mais esperto do que a média dos ruralistas, principalmente da linhagem de pecuaristas, onde a média cultural é muito baixa e o nível de argumentos é muito raso”.

“Retrocesso não é o Blairo, é o Brasil”, diz ambientalista
Mario Mantovani diz que há possibilidade de diálogo com Blairo Maggi | Foto: Arquivo Pessoal

Diretor de Políticas Públicas da Fundação SOS Mata Atlântica, Mario Mantovani foi um dos ativistas que entregou o prêmio Motosserra de Ouro a Blairo Maggi em 2004. Atualmente, ele acredita que o senador “percebeu que tinha que mudar” e que “não é um ambientalista, mas também não é um trogolodita”.

Para Mantovani, há espaço de diálogo e interlocução com Blairo Maggi – o que não ocorreria com integrantes mais radicais da bancada ruralista. “É um sujeito que sabe argumentar. Com ele, vamos jogar o jogo certo: ele é de um segmento e nós, de outro”, define.

O diretor da SOS Mata Atlântica entende que os ambientalistas devem voltar suas críticas ao governo federal. “O retrocesso não é o Blairo, é o Brasil. Temos um governo como um ministério do Meio Ambiente enfraquecido. A agenda de Dilma não é ambiental, ela acha que meio ambiente atrapalha o desenvolvimento. O Brasil, hoje, possui a mesma agenda desenvolvimentista dos anos 1970”, conclui.

“Soja é desastrosa para o Brasil”, condena biólogo

Professor do Departamento de Botânica da UFRGS e integrante da Assembleia Permanente de Entidades em Defesa do Meio Ambiente do Rio Grande do Sul (APEDEMA), o biólogo Paulo Brack condena fortemente o setor agrário ao qual está vinculado o senador Blairo Maggi, presidente da Comissão de Meio Ambiente do Senado.

“A sustentabilidade ambiental pressupõe a redução do peso econômico de monopólios e oligopólios do agronegócio. O grupo empresarial do Blairo Maggi possui um poder imenso. A soja é desastrosa para o Brasil, são grãos de exportação que servem para alimentar gado na China e na Europa”, critica.
Paulo Brack diz que financiadores de Blairo Maggi o desvinculam do meio ambiente | Ramiro Furquim/Sul21
Paulo Brack observa que o senador “vem sendo mais moderado de uns tempos para cá”, mas acredita que isso não se traduza em um compromisso efetivo com a preservação ambiental. “É um político muito esperto. Essa linguagem moderada, diferente do tom dos ruralistas mais truculentos, é uma cortina de fumaça”, qualifica.

Observando as doações para a campanha de Blairo Maggi ao Senado, o biólogo aponta que ele está comprometido com setores pouco interessados no meo ambiente. “Ele recebeu R$ 5,6 milhões em 2010 de grandes empresas do agronegócio, de construtoras, de usinas do álcool, de empresas de máquinas agrícolas. O compromisso dele é com esses setores, não com o meio ambiente”, argumenta.

sábado, 23 de março de 2013

Tecnologia em tempos modernos


Alvin Tofler, autor de "The Third Wave", mencianava em seus escritos a importância da tecnologia nos tempos atuais, e dizia: 
”Os analfabetos do próximo século não são aqueles que não sabem ler ou escrever, mas aqueles que se recusam a aprender, reaprender e voltar a aprender."
”A pergunta certa é geralmente mais importante do que a resposta certa à pergunta errada."
”O futuro é construído pelas nossas decisões diárias, inconstantes e mutáveis, e cada evento influencia todos os outros."
”Mudança é o processo no qual o futuro invade nossas vidas."
”Antes morrer pela toxina da informação do que ser enterrado pela ignorância como indigente."
Certamente, suas afirmações eram por demais entusiásticas da tecnologia, mas o fato é que o mundo se transformou completamente depois da Segunda Guerra Mundial em decorrência das invenções exigidas pelos países em conflito, especialmente os alemães de Hitler, os americanos de Roosevelt e os russos de Stalin.
Todas as inovações tecnológicas tiveram sua origem neste conturbado período de nossa História, por mais lamentável que tenham sido os crimes perpetrados pelos países em conflito: a corrida espacial, decorrência do desenvolvimento dos foguetes V2; o computador, consequência dos trabalhos de codificação de mensagens; a indústria automobilística e os motores, em função dos veículos motorizados pela guerra; equipamentos ópticos, construídos a partir das miras telescópicas e das lunetas terrestres; os radares, desenvolvidos para perscrutar os movimentos dos inimigos; e a aviação, resultado dos poderosos Spitfire, Zero, Mustang, Messerschmidt, e fortalezas voadoras B24.
Os anos que se seguiram à guerra foram de reconstrução da Europa e do Japão, e permitiram que os Estados Unidos se tornassem a maior potência tecnológica do mundo, graças à preservação de seu território, fora das zonas de combate. Mas o que os levou para o cume das realizações científico-tecnológicas foi a construção das bombas atômicas.
Os cientistas alemães foram retirados de sua pátria para servir aos aliados, principalmente os Estados Unidos e a União Soviética, e todo o programa espacial e nuclear desses países devem seus êxitos a Werner Von Braun, Albert Einstein e suas equipes de pesquisadores.
O que veio depois foi consequência do acelerado desenvolvimento científico, tecnológico, econômico e político que aconteceu a partir dos anos 1950. O aspecto político geralmente é menosprezado, mas se não houvesse a dicotomia capitalismo-comunismo, não teria havido a corrida nuclear, a corrida espacial e a corrida pelo desenvolvimento tecnológico.
Se a tecnologia é a marca registrada de nossa sociedade contemporânea, é também seu algoz, na medida em que, com a "débacle" socialista, tornou o mundo hegemônico e dominado aapenas pela nação americana, que ditou o ritmo e o rumo de todas as guerras regionais do século XX e do início do século XXI: Vietnam, Coréia, Bósnia, Iraque, Afeganistão...
A presença americana no contexto da geopolítica atual é tão predominante que nenhuma nação conseguiu imprimir sua marca no mundo até o início deste século. Somente com o fim do comunismo soviético é que a China se destacou no desenvolvimento econômico, saindo de uma situação de satélite da URSS para um dos líderes mais dinâmicos da economia mundial.
Porém, como tudo tem seu preço, com a redução dos conflitos mundiais, a indústria bélica perdeu sua importância e entrou em declínio, pois já não havia inimigos de porte a serem combatidos, exceto aqueles que se travestiram em terroristas sem patria. Por isso, as guerras regionais mencionadas tiveram, atrás de si, os interesses obscuros da indústria bélica norte-americana.
Foram inúmeros os paradigmas quebrados neste século de existência, e o mundo se transformou em um gigantesco mercado de consumo acelerado. Novas tecnologias nasceram para combater suas próprias marcas, na ânsia de conquistar novos consumidores, e as barreiras ideológicas já não fazem oposição à origem dessa tecnologia multinacional.
Por sua vez, a vida útil dos artefatos tecnológicos sofreu tamanho encurtamento que já não faz sentido a busca pela qualidade enquanto sinônimo de longevidade. O que é valor hoje é o baixo custo e a gigantesca economia de escala dos novos produtos lançados ao mercado.
Exemplo disso são os equipamentos celulares, que são até oferecidos de graça para quem adquire uma linha telefônica de alto nível de tráfego. Da mesma forma, os componentes eletrônicos de computadores, de automóveis e de utilidades domésticas passaram a se comportar como as commodities: baixo valor unitário e altíssimo consumo.
Mas outro custo veio agregado à tecnologia: seu uso tornou as pessoas dependentes de recursos que nunca existiram, e o tempo de cada indivíduo se reduziu em função disso. Hoje, parcela dominante do tempo das pessoas é consumida pela tecnologia dos computadores, das redes sociais, da televisão cada vez mais interativa e do volume avassalador de informações despejadas sobre cada um de nós.
Já não há mais tempo para a reflexão, análise e construção do conhecimento individual, e todos os seres de uma sociedade se assemelham nas ideias que proclamam como suas, mas que lhes foram impingidas pelos meios de comunicação. Se os jornais e as revistas perderam espaço para a tela do computador e os sites cada vez mais atraentes, seu conteúdo é disseminado como um vírus pela Internet, sem que cada um de seus vetores tenham tempo para refletir a respeito de sua veracidade ou coerência.
O futuro ainda é incerto, principalmente porque o excesso de consumismo e o crescimento desordenado e descontrolado da população mundial esgotam rapidamente os recursos naturais, e um colapso de proporções gigantescas se mostra cada vez mais factível e irreversível.
Terá, a tecnologia, tempo e criatividade suficiente para reverter essa situação? Apenas o futuro nos dará a resposta...

A Beleza da VIDA


Maravilhoso!... e muito triste... pensar que quem manda em nosso planeta são as pessoas do mal, e que em muito pouco tempo tudo isso estará perdido para sempre... pois a cada minuto uma área do tamanho de um campo de futebol se transforma em cinzas na Floresta Amazônica, para dar lugar à soja e ao gado! Malditos latifundiários que não têm olhos nem alma para perceber a infinita beleza da Vida!

quinta-feira, 21 de março de 2013

DIA DA ÁGUA: pense um pouco...

PRODUTO Uso da Água (litros por quilo)
Manteiga 18.000
Carne de boi 17.000
Azeite de oliva 11.000
Óleo de soja 5.500
Queijo 5.200
Carne de porco 5.000
Aves 3.500
Ovos 3.500
Arroz 2.500
Aveia 2.500
Azeitona 2.500
Soja 2.500
Trigo 1.500
Milho 1.000
Leite 700
Banana 500
Uva 450
Laranja e outros cítricos 380
Cana-de-açúcar 300
Beterraba 200
Batata 150
Tomate 100

Observem a tabela acima: para cada kg de carne de boi produzido são necessários cerca de 17.000 litros de água, consumidos pelo animal! Manteiga e azeite de oliva se consome em pouca quantidade...

Qualquer observador atento perceberá que a produção de gado bovino é inviável em um mundo que se pretende sustentável. Isso porque temos 200.000.000 (duzentos milhões) de cabeças de gado, pesando em média 500 kg cada um. Portanto, nosso rebanho de gado consumiria cerca de 1.700.000.000.000 m³ (um trilhão e setecentos bilhões de metros cúbicos) de água para matar sua sede, entre seu nascimento e sua transformação em bife e churrasco! Isto corresponderia a cerca de 20 vezes o volume máximo de água armazenado na represa de Sobradinho, o segundo maior lago artificial do mundo, com 320 km de extensão, 60 km de largura máxima, 390 metros de profundidade máxima e um espelho d'água de 4.200 km²!

Seria até tolerável, se não considerássemos que a produção de gado e de soja (o principal componente na alimentação dos chifrudos) têm sido a causa determinante da devastação da Floresta Amazônica e do Cerrado! Ou seja, enquanto o gado bebe esse volume absurdo de água para engordar e cair na nossa mesa em formato de carne frita, cozida, assada ou de hamburger, os latifundiários vão queimando a floresta e transformando imensas extensões de terra em pasto e plantação de soja! E, ao longo de toda sua vida monótona, as patas dos bois vão compactando o solo até que este não consiga mais filtrar a água para o subsolo, e o terreno passa a ser um veículo para transporte do excedente de agrotóxicos para os rios! Uma manada de bois é capaz de, em muito pouco tempo, secar uma nascente ou até mesmo uma vereda!

Se você ainda não se convenceu a parar de consumir carne de boi, pense no que deixará como herança para seus filhos: terra arrasada! A única maneira de vencermos os ruralistas latifundiários da pecuária e da soja é parando de consumir carne de boi! Comam carne de porco, de cabra, de frango ou de peixe, ou se preferirem, transformem-se em vegetarianos... é muito mais saudável e a Natureza agradece!

quarta-feira, 6 de março de 2013

A importância de nossas reservas hídricas

Maiores rios brasileiros em vazão (m³/s)



O Brasil possui a maior reserva de água doce do planeta. Veja abaixo as maiores vazões de seus rios:

1°) Rio Amazonas (Bacia Amazônica) - 209.000 
m³/s
     a incrível vazão de 209 milhões de litros por segundo!

2°) Rio Solimões (Bacia Amazônica) - 103.000
 m³/s

3°) Rio Madeira (Bacia Amazônica) - 31.200
 m³/s

4°) Rio Negro (Bacia Amazônica) - 28.400
 m³/s

5°) Rio Japurá (Bacia Amazônica) - 18.620
 m³/s

6°) Rio Tapajós (Bacia Amazônica) - 13.500 m³/s

7°) Rio Purus (Bacia Amazônica) - 11.000 m³/s
     Rio Tocantins (Bacia Tocantins-Araguaia) - 11.000 m³/s
     Rio Paraná (Bacia do Prata) - 11.000 m³/s

10°) Rio Xingu (Bacia Amazônica) - 9.700
 m³/s

11°) Rio Içá (Bacia Amazônica) - 8.800
 m³/s

12°) Rio Juruá (Bacia Amazônica) - 8.440
 m³/s

13°) Rio Araguaia (Bacia Tocantins-Araguaia) - 5.500
 m³/s

14°) Rio Uruguai (Bacia do Prata) - 4.150
 m³/s

15°) Rio São Francisco (Bacia do São Francisco) - 2.850
 m³/s

16°) Rio Paraguai (Bacia do Prata) - 1.290
 m³/s

Observações:
1) Os rios da bacia amazônica são responsáveis por 72% dos recursos hídricos do Brasil


2) O aquífero guarani, com 1.194.800 km² de extensão e 45 quatrilhões de litros, é o maior reservatório de água doce da América do Sul e 70% dele está localizado no Brasil (Mato Grosso do Sul - 25,5%, Rio Grande do Sul - 18,8%, São Paulo - 18,5%, Paraná - 15,0%, Goiás - 6,5%, Santa Catarina - 6,5%, Minas Gerais - 6,1% e Mato Grosso - 3,1%), 19% na Argentina, 6% no Paraguai e 5% no Uruguai

FONTE: Agência Nacional de Águas (ANA).

terça-feira, 5 de março de 2013

Pesquisadores detalham projeto sobre evolução da biota amazônica

Fonte: Agência Fapesp

Por Frances Jones
Agência FAPESP – Cerca de 30 especialistas brasileiros e estrangeiros de áreas diversas – indo da botânica à geologia, da paleontologia ao sensoriamento remoto – participaram da primeira reunião “presencial” com os integrantes de um Projeto Temático que investigará o que ocorreu com na Amazônia nos últimos 20 milhões de anos.
O projeto é apoiado pela FAPESP e pela National Science Foundation (NSF) no âmbito de um acordo que prevê o desenvolvimento de atividades de cooperação entre os programas "Dimensions of Biodiversity" (NSF) e BIOTA (FAPESP). O estudo também conta com o apoio da agência espacial dos Estados Unidos, a Nasa.
“Essa pesquisa enorme e audaciosa é uma oportunidade de se fazer algo que poucos podem fazer”, afirmou o norte-americano Joel Cracraft, do American Museum of Natural History, pesquisador principal do projeto do lado americano, na abertura do simpósio “The assembly and evolution of the Amazonian biota and its environment”, na sede da FAPESP, em São Paulo, para uma plateia de 260 pessoas. 
Entre as perguntas a serem respondidas pelo projeto estão: como era o ambiente e quais organismos povoaram a Amazônia? Qual é a explicação para tamanha biodiversidade encontrada hoje na região?
O primeiro dia da reunião (04/03) foi aberto ao público, que pôde conhecer um pouco sobre as linhas de pesquisa e planos de trabalho do grupo e ter uma ideia da especialidade de cada um dos integrantes.
Nos outros quatro dias da semana, os pesquisadores vão se reunir a portas fechadas para definir em detalhes o andamento da pesquisa. A pesquisadora principal do lado brasileiro e organizadora do simpósio é Lúcia Garcez Lohmann, professora do Departamento de Botânica do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP) e pesquisadora associada dos jardins botânicos de Nova York e do Missouri.
“Este não é um simpósio tradicional sobre a Amazônia. Queremos usar o simpósio para integrar os colaboradores a fim de que todos cantem a partir da mesma partitura. O projeto é maior do que a soma das pesquisas individuais”, disse Cracraft.
O Projeto Temático envolve instituições de vários países – seis brasileiras, oito norte-americanas, uma canadense, uma argentina e uma britânica. E ainda busca colaborações de especialistas interessados, principalmente brasileiros.
Um grande desafio será como lidar com a enorme quantidade de informações, provenientes de diferentes metodologias e disciplinas. “Uma das nossas metas nessa reunião é tentar entender como lidaremos com esses dados”, disse Cracraft.
A norte-americana Barbara Thiers, do New York Botanical Garden, foi uma das primeiras especialistas a se apresentar no simpósio. Ela falou sobre a importância dos dados de localização para os estudos biogeográficos e traçou um panorama sobre o que já existe no que se refere a bancos de dados de plantas amazônicas.
Segundo Thiers, há cerca de 120 herbários ativos no Brasil, com informações sobre aproximadamente 7 milhões de espécies de plantas. Na Amazônia, são reconhecidos entre 1 e 1,5 milhão de espécies.
Há poucas coleções de amostras de plantas amazônicas colhidas antes de 1900, feitas em sua maioria por europeus. Grande parte das amostras data de depois de 1960 – em especial entre 1975 e 1984, durante um programa binacional do Brasil e dos EUA.
A questão é que boa parte das amostras de plantas não contém informações sobre a latitude e longitude de onde foram encontradas. “Antes de 1980, não era rotina as amostras incluírem as geocoordenadas sobre as localidades onde haviam sido encontradas”, afirmou Thiers.
Para tentar montar esse quebra-cabeça, os pesquisadores, de acordo com ela, usarão vários instrumentos, entre eles o Google Maps.
Thomas Trombone, do American Museum of Natural History, contou que a sua contribuição ao projeto será tentar responder à questão sobre como a biodiversidade dos vertebrados está distribuída na Amazônia.
“Montaremos o maior banco de dados com informações sobre a Amazônia, será um Atlas da biodiversidade amazônica”, afirmou, acrescentando que os dados serão colocados em um portal na internet.
Grupos-modelo
Os pesquisadores envolvidos no Projeto Temático tentarão entender a origem, a estruturação e a evolução dos organismos que povoam e povoaram a Amazônia a partir de quatro grandes grupos: plantas, primatas, borboletas e aves.
“Em uma primeira etapa, estudaremos a história evolutiva desses organismos e caracterizaremos o ambiente amazônico, incluindo informações sobre a história geológica e ciclos biogeoquímicos”, disse Lohmann, especialista em sistemática de plantas, que estuda o parentesco e a história evolutiva de representantes da família Bignoniaceae, da qual fazem parte os ipês, os jacarandás e diversas espécies de cipós que compõem as florestas tropicais.
Dentro dos grupos-modelo, os pesquisadores pretendem reconstruir a filogenia, ou seja, “árvores evolutivas” desses grupos, bem como realizar estudos ao nível populacional de organismos selecionados.
“Como ainda sabemos muito pouco sobre a biodiversidade amazônica, tivemos que selecionar grupos-modelo, pois seria absolutamente inviável estudar toda a biota amazônica durante o período de vigência deste projeto”, disse Lohmann, que também é presidente da Association for Tropical Biology and Conservation (ATBC). 

domingo, 3 de março de 2013

O destino da Mata Atlântica e outros Biomas


A Mata Atlântica sofreu tremenda degradação durante os cinco séculos posteriores ao ingresso dos portugueses na Terra Brasilis, principalmente por se localizar primordialmente na faixa litorânea. As poucas áreas remanescentes permaneceram assim devido à sua topografia acidentada e de terrenos inadequados para a agricultura convencional.

No entanto, devido aos avanços da urbanização, mesmo esses territórios passaram a sofrer valorização imobiliária acentuada nos últimos 50 anos, tornando-se atraentes para grandes investimentos para negócios turísticos, particularmente nas vizinhanças das praias do estado de São Paulo e Rio de Janeiro. As construções em encostas tornaram-se comuns, inicialmente pela expulsão das comunidades carentes das áreas mais valorizadas das cidades costeiras, e depois pelos grandes empreendimentos turísticos (hotéis e resorts), que pretendiam oferecer aos seus hóspedes a proximidade das praias e a beleza cênica das montanhas.

Além disso, novas tecnologias agrícolas possibilitaram o uso eficiente de terras íngremes para alguns tipos de cultivo, como de frutas de climas temperados e até mesmo de criação de pequenos animais, como os caprinos: ovelhas e cabras.

Em anos mais recentes, devido em parte às mudanças climáticas, mas principalmente devido à instabilidade geológica das encostas das montanhas, vários acidentes causados por deslizamentos vêm ocorrendo nessas novas áreas de ocupação urbana, causando mortes e prejuízos.

Mesmo nas proximidades de unidades de conservação, em razão da falta de fiscalização adequada e da omissão das autoridades em punir energicamente os infratores, inúmeras invasões ocorreram na Mata Atlântica, não sendo raro observar, até mesmo das estradas que a fracionaram, os loteamentos e as plantações irregulares, abrindo enormes janelas na mata.

Até mesmo as estradas, construídas em décadas passadas, tornaram-se as causadoras desses deslizamentos, uma vez que a instabilidade geológica não foi levada em consideração pelas obras de sua construção e pela manutenção inadequada. Com frequência crescente observam-se taludes trazendo abaixo enormes porções da mata em grandes extensões.
O desvirtuamento do Código Florestal irá agravar ainda mais essa situação, uma vez que parcela expressiva das áreas de preservação permanente deixaram de sê-lo pela nova versão apoiada pelos ruralistas e pelos investidores no mercado imobiliário. O veto discreto de DIlma Rousseff e a postura tímida da ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, só fazem estimular essas posturas criminosas.
Criar novas unidades de conservação, apesar de necessário e urgente, não será o bastante para reverter a tendência de extinção da Mata Atlântica. Mais do que isso é fazer valer as letras da lei, exigindo seu cumprimento e punindo severamente os infratores. Aumentar as penas por crimes ambientais seguem o mesmo raciocínio: é preciso fazer cumprir a lei a qualquer custo.
Uma iniciativa importantíssima partiu da ONG GREENPEACE, que há cerca de nove meses vem divulgando e incentivando um abaixo-assinado em defesa de uma nova lei definindo que qualquer desmatamento, a partir de sua promulgação, deverá ser proibido: "Desmatamento Zero" é o nome da campanha. A justificativa plenamente relevante é que o que já se desmatou ultrapassou qualquer capacidade das áreas preservadas de se manterem incólumes e, além disso, a área agricultável de nosso território é mais do que suficiente para atender às demandas por alimentos.
Outro argumento que eu acrescentaria é o de que as ações de devastação, mesmo sem a existência desta lei, já são criminosas e inaceitáveis. Além do desrespeito ao Código Florestal, mesmo na versão descaracterizada pelos ruralistas, muitas das terras ocupadas na Amazônia, na Mata Atlântica e nos outros biomas nacionais, foram "griladas", ou seja, através da apropriação de terras públicas de modo ilícito e por meio de falsificação de documentos de titularidade da terra.
Além do exposto, outras iniciativas deveriam ser tomadas sob regime de urgência, como, por exemplo, a criação de corredores ecológicos, interligando frações de unidades de conservação incapazes de sustentar a vida selvagem. Exemplo deste caso é o Parque Estadual de Vassununga, situado no interior do estado de São Paulo, próximo a Santa Rita do Passa Quatro. Esse importante ecossistema se propõe a preservar o pouco que resta de cerrado nessa unidade da federação; no entanto, sua área é composta de frações de terreno intercaladas por estradas e propriedades privadas completamente devastadas pela agricultura de larga escala (soja, cana de açúcar, algodão, milho e outros cultivares).
Finalmente, embora não exaustiva, essa relação de problemas evidencia que nem as autoridades, nem os políticos, nem os agro-empresários e nem mesmo a população tomaram conhecimento da gravidade da situação de nossos ecossistemas e, em particular, da Mata Atlântica, e perseveram na prática de ações devastadoras de toda natureza.
O tempo é curto, pois cada terra devastada jamais voltará a ser resgatada. Prova disso são as extensas áreas consumidas pelos incêndios criminosos que acontecem em todos os biomas desde a década de 1970, quando os governos militares lançaram o lema: "Integrar para não Entregar", justificando, com isso, a construção da Transamazônica e de tantas outras estradas (que continuam a ser construídas) dentro das grandes florestas úmidas e únicas de nosso país.
Vale ainda ressaltar a opção de "desenvolvimento" adotada pelo país desde Getúlio Vargas  e que também foi declarada através de outro slogan, tão falacioso quanto o primeiro: "O Brasil será o celeiro do mundo!". Esta opção é tão estúpida que transforma nosso país em exportador de matérias-primas e importador de alta tecnologia, cuja mais valia (tomando emprestada uma expressão de Karl Marx) nos converte em dependentes do futuro das outras nações, tornando-nos escravos modernos de nossas escolhas do passado.
Hoje, o Agronegócio, o Petróleo e a Mineração (atividades extrativistas) representam cerca de 50% das exportações brasileiras (minério, petróleo, soja, açúcar, etanol,carne bovina e suína e celulose)*Ocorre que todas essas atividades são fortemente impactantes para a Natureza e, quando a terra estiver exaurida pela extração de minérios, pelo cultivo de soja e de cana de açúcar, e pela criação de gado, estaremos de volta ao Terceiro Mundo...

* Fonte: BRASIL.GOV.BR